DESEMPENHO GEOECONÔMICO DO AGRONEGÓCIO BRASILEIRO E CATARINENSE PÓS-2003

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DOI:

https://doi.org/10.54805/RCE.2527-1180.v7.n1.115
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Palavras-chave:

Geoeconomia brasileira, Agronegócios, Economia de Santa Catarina

Resumo

Os agronegócios brasileiros e catarinenses desempenham importante papel na economia brasileira e mundial. O PIB do agronegócio brasileiro a preços correntes cresceu de R$ 523,6 bilhões, em 2003, para R$ 1,9 trilhão de reais, em 2020. Em termos de Valor Bruto da Produção (VBP), enquanto as lavouras geraram em 2021, R$ 688,3 bilhões, a pecuária gerou R$ 314,4 bilhões. Nas exportações, que passaram de US$ 21 bilhões, em 2000, para US$ 96,8 bilhões em 2019, o que corresponde a 43,2% do total exportado e resultou em um saldo de R$ 83 bilhões. O estado de Santa Catarina, com 183 mil estabelecimentos agropecuários e 502 mil pessoas ocupadas, apresentou em 2021, um VBP agropecuária uma receita de R$ 42,6 bilhões, sendo 33,3% referentes às lavouras e 66,3% referente à pecuária. Entre 2003-2020, o VBP da agropecuária catarinense apresentou um crescimento da ordem de 2,7 vezes. As exportações do agronegócio catarinense representaram em 2020, 5,7% das exportações do agronegócio brasileiro e 68,3% das exportações totais catarinense. De um total de US$ 10,3 bilhões, gerado pelo estado em 2020, o agronegócio contribuiu com US$ 1,59 bilhões com a exportação de carne de frango, US$ 1,32 bilhões de carnes de suínos e US$ 669,9 milhões, com a soja. Este texto objetiva apresentar o desempenho geoeconômico dos agronegócios brasileiros e catarinenses no período pós 2003. Na elaboração do texto, optou-se pela abordagem exploratória via levantamento bibliográfico, documental e estatísticos relativo à temática exposta. Fruto do processo de modernização da agropecuária iniciada nos anos 1960, os diferentes agronegócios passaram por profundas transformações técnico-econômicas que se manifestaram ainda nos anos de 1990 e pós 2003. O desempenho favorável dos indicadores econômicos contrastou com o declínio da área de pastagens e da área plantada das lavouras temporárias e permanentes. O crescimento da produção das lavouras e da pecuária catarinenses explica-se igualmente pelo aumento da produtividade e a crescente inserção no mercado internacional.

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Biografia do Autor

Roberto César Costa Cunha, Universidade Federal de Santa Catarina

Geógrafo (UFMA); Mestre e Doutor em Geografia (UFSC). PEsquisador de Pós-doutoramento do DEGEO da UFSC

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Publicado

2024-02-24

Como Citar

Espíndola, C. J., & Cunha, R. C. C. . (2024). DESEMPENHO GEOECONÔMICO DO AGRONEGÓCIO BRASILEIRO E CATARINENSE PÓS-2003. Revista Catarinense De Economia, 7(1), 2–15. https://doi.org/10.54805/RCE.2527-1180.v7.n1.115

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